Violeira
A Violeira surgiu há 16 anos como um incentivo aos violeiros anônimos que se apresentavam em diversos locais da Festa do Peão de Boiadeiro. Sensibilizados com o crescimento e aceitação da cultura popular, especificamente a "caipira", os Independentes resolveram criar um Festival de Moda de Viola com a finalidade de descobrir novos valores para este segmento musical.
Como resultado do bom trabalho realizado, a Violeira consegue hoje mobilizar compositores profissionais a participarem do evento. Segundo a opinião de grandes compositores como Tião Carreiro , João Pacífico e Lourival dos Santos a Violeira é um festival de alto nível, e vem melhorando a cada ano.
Músicos amadores e profissionais, que compõem e tocam moda de viola no estilo raiz, podem realizar inscrições de seu trabalho para a 24ª Violeira Rose Abrão, que tem final em plena Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. O mais antigo festival de viola que se tem notícia, a Violeira, é uma iniciativa de Os Independentes e conta nestes 24 anos de história com a participação de músicos consagrados e novatos, vindos dos mais diferentes estados brasileiros.
As inscrições podem ser feitas por correio, basta encaminhar a música gravada em fita K7, cd ou md, acompanhada da letra impressa em papel, para o Parque do Peão - Rodovia Brigadeiro Faria Lima, km 428, Barretos SP, caixa postal 36, cep 14780-050. Cada compositor poderá inscrever até duas músicas inéditas, em estilo sertanejo raiz, e deverá enviar também a autorização para que os intérpretes defedam a música no Festival. Todas as informações sobre o evento e seu regulamento completo estão a disposição no site de Os Independentes.
Serão classificadas 40 músicas para as eliminatórias que acontecem nos dias 28 e 29 de julho, em locais a serem definidos pela comissão organizadora. Dez músicas saem das eliminatórias e participam da grande final que acontece no dia 05 de agosto, também no Parque do Peão.
Da Violeira "Rose Abrão" já saíram nomes importantes no cenário musical, como a dupla Rio Negro & Solimões que foi campeã da 3ª Violeira no ano de 1986.
Violeira "Os Independentes"
Onde a tradição canta mais alto
Introdução: Música Caipira
No ano de 1910, iniciou-se pela primeira vez, através de Cornélio Pires, a mobilização de cantores e violeiros do interior, para demonstrações ao público urbano, passando muitos anos até que a original música caipira ocupasse o seu merecido lugar no cenário nacional.
Nem mesmo o músico e compositor, Angelino de Oliveira, que em 1926 fez sua toada paulista "Tristeza do Jeca", conseguiu o reconhecimento que estabelecesse a música rural como gênero musical. Somente em 1929, a música caipira surgiu no mercado |
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fonográfico, com etiqueta própria, selo vermelho com numeração a partir de 20 mil e sem apoio por parte das gravadoras, mesmo assim, Cornélio Pires assumiu sozinho o financiamento, gravação e produção de seus discos, abrindo a trilha por onde passam até hoje os mais consagrados nomes de expressão nacional.
No mesmo ano, o sucesso dos discos foram tão expressivos, que as gravadoras voltaram atrás, e passaram então a se responsabilizar financeiramente pelos discos de Cornélio Pires, que já havia lançado o seu sexto disco.
Esses dados foram extraídos do registro histórico da "Moda do Peão", feito pessoalmente por Cornélio Pires, sob o número 20.007 de sua série, em discos de 78 rpm (rotações por minuto).
No início da década de 30, a música caipira, representava simplesmente 40% do mercado fonográfico brasileiro, onde existiam apenas 65 emissoras de rádio e 30 mil
aparelhos receptores em todo o Brasil, para uma população em torno de 35 milhões de habitantes, onde 80% dessa população vivia na zona rural.
Música Sertaneja

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Entre os anos 30 e 40, através de Raul Torres, João Batista Pinto, o Florêncio e João Pacífico, criou-se um novo estilo; a música sertaneja, seguida por uma verdadeira legião de duplas e cantores.
No cinema, um caipira fazia platéias lotadas morrerem de rir, com a interpretação de Amácio Mazzaropi, que cantava composições suas e de outros autores sobre o cotidiano modo de vida rural.
O marco da resistência do rádio e suas músicas regio- nais, deu-se entre 1940 e 1945, quando num período de apenas cinco anos, passaram de 65 para 117 emissoras |
e o arsenal de aparelhos receptores para uma marca de 3 milhões.
Surgida em 1950, a televisão foi a nova vitrine para a música sertaneja, onde Tonico e Tinoco participaram da programação de estréia da TV Tupi e são considerados lendas da vida rural brasileira até os dias de hoje.
No ano de 1955, a inovação tecnológica contribuiu para o crescimento incontrolável da música sertaneja; o advento do LP (long-playing), que podia reunir um maior número de faixas musicais, com uma melhor qualidade de reprodução sonora.
Em 1960, a ditadura militar propiciou o surgimento da música de protesto, de conteúdo nacionalista e político, composta por jovens autores, que não raro, também foram influenciados pela música regional, e passavam em suas obras todo o sentimento de insatisfação popular, vide o exemplo de "Disparada", de Théo de Barros e Geraldo Vandré, uma toada com sabor de moda de viola ponteada, vencedora do Festival da Record junto com "A Banda", de Chico Buarque de Holanda.
Apesar de, em 1970, apenas 33% da população de 93 milhões de habitantes ainda vive na zona rural, a saudade do interior que o homem urbano carregava, tornou-se o principal argumento para a música raiz conquistar adeptos inesperados. Prova disso, é o até então cantor da jovem guarda, Sérgio Reis, que pela primeira vez toca música sertaneja em uma rádio FM.
O Brasil rural, cada vez mais tinha safras recordes, década de 80, mais uma vez a saudade do interior e das origens provocava ecos nas grandes cidades.
Surgiram filmes com Léo Canhoto e Robertinho e Milionário e José Rico. O mercado promissor, lançou novas duplas como Chitãozinho e Xororó.
Glossário
1ª Voz: agúda e básica
2ª Voz: grave, duetando com a 1ª voz (enfeitando)
Dupla: combinação de harmonia das duas vozes
Pagode: ritmo de samba sertanejo criado por Tião Carreiro
Violão: instrumento de 6 cordas presente em todos gêneros musicais
Viola: instrumento de 10 cordas usado basicamente na música raiz
Rasqueado: ritmo originário da música paraguaia
Música Sertaneja: música tradicional caipira, hoje modernizada pelas duplas com produções mirabolantes, ferindo muitas vezes nossas tradições.
Quem é quem
Tião Carreiro: José Dias Nunes, nascido em Monte Azul (MG), em 13 de dezembro de 1934, um dos maiores violeiros do Brasil, criador e rei do pagode, e um dos principais responsáveis pela introdução da música sertaneja na mídia. Música: "Amargurado".
João Pacífico: João Baptista da Silva, nascido em Cordeirópolis (SP), em 5 de agosto de 1909, poeta e compositor de mais de 1400 letras, entre elas, "CaboclaTereza, Pingo D'água e Chico Mulato", gravadas pela maioria das duplas de renome nacional. Lourival dos Santos: foi um dos maiores compositores brasileiro de pagode, autor junto com Teddy Vieira da música "Pagode em Brasília". Pena Branca e Xavantinho: as mais lindas vozes em dueto, defenso- |
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res do folclore mineiro, por várias vezes vencedora do Prêmio Sharp de Música. Música: "Cio da Terra e Cuitelinho".
Tonico e Tinoco: mais de 50 anos de sucesso da verdadeira música caipira do Brasil. Música: "Chico Mineiro e Canta Moçada".
Bezerrão: Wilson Garcia, um apaixonado e defensor da música raiz, coordenador da Violeira Rose Abrão.
Wilson Palma da Rocha: médico, compositor de várias músicas gravadas por Pedro Bento e Zé da Estrada e outras duplas, foi por vários anos diretor artístico de Os Independentes. |
Histórico da Violeira
No ano de 1984, Os Independentes, através do seu presidente Mussa Calil Neto e sua diretoria, instituiu o Festival de Música Raiz; a "Violeira", que inicialmente era realizada nos bairros da cidade, buscando levar à todos o acesso às grandes duplas, resgatando a perfeita harmonia entre viola, violão e vozes.
Como tema, grande parte das canções falam da Festa do Peão de Boiadeiro, seu estilo de vida, suas vestimentas e costumes estradeiros. Embora o tema seja livre, as canções buscam a cada nova edição, manter suas bases, com palavras e vocabulários usados tão somente entre pessoas que vivem a verdadeira música raiz.
A primeira e segunda "Violeira", foi coordenada pelo saudoso Alaor de Ávila, e da terceira até os dias de hoje, (23ª edição), é coordenada por Wilson Garcia (Bezerrão).
Celeiro de grandes nomes, a "Violeira", juntamente com nomes como Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léu, Zico e Zeca, Pena Branca e Xavantinho, e tantos outros, vem conseguindo manter acesa a chama desse que é um dos primeiros gêneros musicais do país.
A partir do ano de 1993, a "Violeira" passou a levar o nome de "Rose Abrão", perpetuando assim como patrono de um dos principais festivais do país, o nome de um dos maiores amigos dos violeiros de todas as regiões do Brasil.
Gaze Abrão, seu verdadeiro nome, comerciante de cereais e amante da música raiz, nasceu no dia 30 de março de 1.936, no Ibitú, distrito de Barretos.
Foi casado com Dona Elza por 34 anos e sempre morou na Avenida 47, 1.126, esquina da Rua 28, quando no ano de 1.984 mudou-se para a Rua 30, 118, esquina da Avenida 47, onde existe até hoje o famoso "Sobrado da Alegria", quartel general dos violeiros, segundo o compositor João Pacífico, jurado de honra da "Violeira", no livro de assinaturas dos violeiros que por lá passaram.
O "Sobrado da Alegria", foi palco de muitas amizades, encontros musicais, letras e músicas que fluíam a todo instante como as notas em uma partitura.
Era inevitável ponto de pouso dos admiradores da boa música raiz.
Por lá passaram os maiores nomes da música raiz nacional; Tião Carreiro e Pardinho, Almir Sater, Antonio Borba, Pena Branca e Xavantinho, Suzamar, Ronaldo Viola e João Carvalho, César e Paulinho, Mocóca e Paraíso, Carreirinho, Amarai, Dino Franco e Morai, Sula Mazurega, Dalvan, Adalto Santos, João Pacífico e tantos outros.
Chamado de "padrinho dos violeiros", apelido dado por Tião Carreiro, "tio Rose" faleceu no dia 29 de janeiro de 1.993, e como declarou-nos Dona Elza, deixou-nos uma grande herança, seu filho Marcio e também com certeza uma profunda saudade, que aperta o peito, assim como os dedos apertam as cordas da viola, que chora sentida a falta de alguém.
Revelações
Grandes nomes que são sucesso hoje, participaram da "Violeira Rose Abrão"; Rio Negro e Solimões (Campeões em 86), Aurélio Miranda, Durval e Davi, Edmauro e Edivaldo (Violeiros da Amazônia), Itamaracá, Gedeão da Viola, Goiano e Paranaense, Ronaldo Viola e João Carvalho, Zé do Cedro e João do Pinho, Ivo de Souza e Janguinho e tantos outros.
Festival |

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Para a Violeira "Rose Abrão", são inscritas em média 250 canções, todas enviadas para a Comissão Organizadora em fita K7, MD ou CD, dos mais variados estados; São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Norte, Rondônia, Goiás, Paraná, Tocantins, e tantos outros estados.
Vale ressaltar com enfase, que é obrigatório a presença da viola de 10 cordas.A triagem das músicas é feita pela Comissão Organizadora, composta por Wilson Bezerrão Garcia (Coordenador Geral), Marcos Murta, Julio Teodoro Moraes e pelo músico profissional Netinho Scavaccini.São realizadas em média 02 etapas eliminatórias, apresentando-se 20 canções por etapa, em várias cidades do estado de São Paulo, incluindo Barretos e outros es- |
tados, em locais previamente determinados pela Comissão Organizadora.
São classificadas para a Final, as 10 maiores notas (músicas).
A final da "Violeira", será realizada no Parque do Peão, no dia 20 de agosto na Festa do Peão de Boiadeiro, com as 10 canções que obtiveram maior pontuação entre as 02 eliminatórias.
O objetivo maior da "Violeira", é revelar novos compositores e cantores da música sertaneja raiz, sem esquecer e valorizar os pioneiros do nosso Brasil.
Show de Talentos
Rio Negro e Solimões, campeões da "Violeira", é a atual dupla recordista de público em shows; 48.000 pagantes na 13ª Festa do Peão de Boiadeiro de Americana e 80.000 em Brasília.
Violeiros da Amazônia (Edmauro e Edivaldo), classificados entre as 10 finalistas nos dois últimos anos, tem participado frequentemente do programa Amigos & Amigos da Rede Globo de Televisão.
Gedeão da Viola, Trí-Campeão da "Violeira", é autor do tema de abertura do programa "Viola Minha Viola", da TV Cultura e do "Globo Rural", da Rede Globo de Televisão.
Goiano e Paranaense, são os autores da música em homenagem prestada por Os Independentes, à Lázaro Brandão, Presidente do Banco Bradesco no ano de 1993 na final do Rodeio em Barretos.
Através dos Tempos
No mais tradicional gênero, temos cantores, compositores, duplas e músicas consagradas como: Inezita Barroso (Marvada Pinga), Almir Sater (Chalana), Renato Teixeira (Romaria), Rolando Boldrin (Vide Vida Marvada), Cascatinha e Inhana (Índia), Belmonte e Amaraí (Entre Lágrimas), Luizinho e Limeira (Menino da Porteira), Tião Carreiro e Pardinho (Pagode em Brasília), João Pacífico (Cabocla Tereza), Lourival dos Santos (Saudade de Minha Terra), Pena Branca e Xavantinho (Cio da Terra). Esses nomes, nos mostram até hoje o valor, a importância da música raiz no contexto musical brasileiro dentro dos tempos, e é isso que a "Violeira" vem preservando nesses vinte e três anos de edição. Discografia da Violeira
Músicas que participaram da Violeira e foram gravadas:
Puro Sangue: Hélio Soares - (Solito/Soares)
Aconchego da Saudade: Domiciano / Rio Negro - (Rio Negro e Solimões)
25 de Agosto: José Luiz da Silva - (Chico Junqueira)
Estrada Morada de Peão: Jorge L. Abrão / Sérgio dos Reis - (N. Branca / Céu Azul)
Tributo a Zé Feição: Ademar B. dos Santos - (Itamaracá / Yone Rodrigues)
Peão Caminhoneiro: Ademar B. dos Santos - (Itamaracá / Yone Rodrigues)
Cavalo Mecânico: Ademar B. dso Santos - (Itamaracá / Zé Nilton)
Peão: Domiciano / Rio Negro - (Cristian / Ralf)
Poeira da Saudade: Domiciano - (Cassio / Cacildo)
A Viola e a Saudade: Goiano - (Goiano / Paranaense)
Ermo de Mundo: Atayde Gil - (Nardo / Nardinho)
Cidade do Pecuarista: Mário Oliveira - ( Netinho Scavaccini)
Ponte de Safena: José C. Rodrigues - (Gedeão da Viola / Sidney)
Desabafo Sertanejo: Sebastião L. F. de Camargo / Milton Ap. Marquetti (Wilson/Mineirinho)
A Última Boiada: Aguinaldo N. de Lima - (Solito/João da Serra/Clemente)
Viola e Saudade: Atayde Gil/Campos Sales - (Sales/Suleiman/Santarelli)
Mudou Pra Melhor: Alceu Bigatto - (Irmãos Moreno)
Rodeio Sem Fronteiras: Edmauro José de Lima - (Violeiros da Amazônia)
A Volta do Menino da Porteira: Joaquim Luiz de Oliveira - (Cidão Carreiro/Joãozinho)
A Grande Festa: José Claudio de Souza - (Claudio e Claudinho)
Pouso de Boiadeiro: Devair Pena da Silva - (Zé Norato/Jamair)
Recordando Barretos: Aparecido de Souza - (Carlos Souza/Carreteiro)
A Coisa Está Esquisita: Cássio / Domiciano - (Cássio e Cacildo)
O Ultimo Troféu: (Ivo de Souza e Janguinho)
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